segunda-feira, 12 de setembro de 2011
O VELHO CHICO ESTÁ DOENTE - ÉLITON CUNHA
Lá vem meu velho Chico Dividindo suas águas pra lá e pra cá Tudo isso de um tempo para cá O Velho Chico quase adoece. Seu grito ninguém acata Suas margens já não tem mata Sem a mata o barro desce Com toda pouca água que tem Temos que plantar para poder comer Se o pobre rio não pode mais correr A indústria da seca não pode acabar Pela ignorância daqueles que não sabem ler A insanidade que o homem consegue ter Esses sem vergonhas não se cansam de lhe matar. Não mais que um fiapo de rio Que a seca corta e evapora Não temos nada para ver agora Temos que acabar com toda essa agonia Pra nunca mais seca ter Basta dinheiro para que possamos ver Essa tristeza transformar-se em alegria Areia é o que se vê por demais A maré bebendo toda sua água Vendo o Velho Chico que agonizava Agora vem em minha lembrança O pouco que nele se plantava Pois o povo dele muito cuidava Sonhos que sonhei carregados de esperança. Fonte: Recriação do poeta, página 69. Aracaju 2010.
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